
No próximo mês de Maio, a Culturgest oferece-nos um ciclo, comissariado por Augusto M. Seabra, dedicado ao novo cinema japonês dos anos 60 do séc. XX.
No final da década de 1950, surge no Japão uma revolução no cinema que ficou conhecida como Nuberu Bagu (transcrição fonética da pronúncia japonesa de Nouvelle Vague). Alguns dos mais importantes realizadores associados a este movimento foram Hiroshi Teshigahara, Nagisa Oshima, Seijun Suzuki, Shoei Imamura e Susumu Hani.
Todos os filmes são legendados em inglês com excepção de Koshikei que será legendado em português.
TERÇA-FEIRA 12
18h30
Taiyo no hakaba (O Cemitério do Sol) de Nagisa Oshima, 1960, 16mm, 87’
21h30
Nihon no yonu tokiri (Noite e Nevoeiro no Japão) de Nagisa Oshima, 1960, 16mm, 107’
QUARTA-FEIRA 13
18h30
Nihon shunka ko (Sobre as Canções Brejeiras Japonesas) de Nagisa Oshima, 1967, 16mm, 103’
21h30
Akitsu Onsen (As Termas de Akitsu) de Yoshishige Yoshida, 1962, 35mm, 112’
QUINTA-FEIRA 14
18h30
Nippon konchuki (A Mulher-Insecto/Crónicas Entomológicas do Japão) de Shohei Imamura, 1963, 35mm, 123’
21h30
Akai Satsui (Desejo Assassino) de Shohei Imamura, 1964, 35mm, 150’
SEXTA-FEIRA 15
18h30
Yuke yuke nidome no shojo (Go, Go, second time virgin) de Kôji Wakamatsu, 1969, 65’
21h30
Bara no Soretsu (O Funeral das Rosas) de Toshio Matsumoto, 1969, 16mm, 105’
SÁBADO 16
15h30
Nikutai no mon (A Porta da Carne) de Seijun Suzuki, 1964, 35mm, 90’
18h30
Kenka erejii (Elegia da Luta) de Seijun Suzuki, 1966, 35mm, 86’
21h30
Tokyo nagaremono (O Vagabundo de Tóquio) de Seijun Suzuki, 1966, 16mm, 83’
DOMINGO 17
15h30
Shinju ten no Amijima (Duplo Suicídio em Amijima) de Masahiro Shinoda, 1969, 16mm, 105’
18h30
Koshikei (O Enforcamento) de Nagisa Oshima, 1968, 35mm, 117’
21h30
Erosu+Gyakusatu (Eros + Massacre) de Yoshishige Yoshida, 1969, 35mm, 167’
Era uma vez uma criança Senegalense chamada Cheikh. Cheikh sonhava o dia inteiro em ser músico e percorrer o mundo mostrando a todos o fabuloso ritmo da sua terra mãe, o Mbalax. Os pais de Cheikh não gostavam da ideia do seu filho deixar os estudos (coisa que nem todos tinham acesso no Senegal) para se tornar um cantor itinerante. Mas Cheikh cresceu e contra a vontade de todos tornou-se num dos mais prolíficos músicos do Senegal, conquistando com justiça o seu lugar na cena World Music actual.

Misturando o seu tradicional ritmo Mbalax com uma panóplia de estilos musicais oriundos dos 4 cantos do mundo, passando pelo jazz, funk, samba, rumba, salsa e reggae entre outros, Cheikh Lô é hoje em dia um dos jovens músicos mais respeitados de África. O seu álbum Bambay Gueej é um conjunto de canções intimistas e honestas, feitas com grande sensibilidade musical. Era bom ver um álbum Pop como estes ocasionalmente no ocidente. Acompanhado por músicos extremamente profissionais e coesos, alternando entre a secção ritmica fabulosa (baixo bamboleante e percussão irrepreensível) e a secção de sopros minuciosamente precisa, Cheikh mostra uma voz doce e ocasionalmente nostálgica, que nos remete imediatamente para África. Como cereja no topo do bolo resta dizer que o álbum foi produzido por Youssou N'Dour (provavelmente um dos musicos africanos mais conhecidos no ocidente por ter trabalhado com Peter Gabriel, Paul Simon, Branford Marsalis,...) e pode-se notar o toque da sua conhecida sensibilidade.
Altamente recomendado.

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Há relativamente poucos anos assistimos a um Boom dos media. Não só o número de jornais aumentou como muitos passaram a ser diários. Na televisão não só o número de horas de emissão aumentou como o número de canais também aumentou. Entretanto com o popularização da web 2.0 a atenção dos utilizadores deslocou-se para esta. No entanto continua-se a assistir a uma expansão de quantidade de oferta também na vertente televisiva e impressa. Numa assistência de cerca de 100 pessoas, houve mais elementos a levantar a mão para confirmar um utilização diária de 3 horas Internet do que para 1, 2 e 3 horas em conjunto de televisão.
Nem a publicidade nem o jornalismo ainda se adaptaram a este recente sistema. Os grandes orçamentos publicitários passam ainda pela televisão, alimentando economicamente um sistema de media que perde a popularidade. O cidadão começa a ganhar destaque enquanto membro activo da sociedade tenta uma maior oportunidade de partilhar os seus conteúdos. Enquanto jornalistas contestam o poder do cidadão comum de atingir um grande número de pessoas sem regulamentação sobre o tipo de informação exposta, a verdade é que esta prática atinge grandes níveis de sucesso. No entanto o próprio jornalismo está a sofrer uma crise de qualidade pois a concorrência torna o jornalismo mais agressivo e competitivo, fazendo-o lutar contra a própria regulamentação que os jornalistas clamam. Agravando a situação, a quantidade de informação é tanta que se torna mais fácil fugir impune à regulamentação.
A era é de sobre-informação em todas as áreas. Exemplificando com um autor, o facto da atenção estar fragmentada torna necessário aumentar as participações nos canais informativos, não se limitando aos mais populares. É necessário esta desmultiplicação em vários canais se se quer "aparecer". Mas esta sobre-informação encontra-se também ao nível pessoal. O facto de ser possível estar contactável e online durante 24h faz com que viver se torne uma tarefa difícil. Utilizadores que ainda não se adaptaram às novas tecnologias vêem a possibilidade de estar contactável 24h não só como uma justificação mas também como uma necessidade para realizar esse contacto. Quando a tecnologia ainda não nos dava os meios para estarmos contactáveis tão intensamente, os cafés assistiriam a conversas em que alguém diria que conheceu alguém fantástico, mas que é difícil manter o contacto. Os cafés actualmente assistem a dois tipos de momentos. Ou a pessoa está agarrada ao telemóvel insistindo em negar o momento presente, ou a pessoa está a queixar-se de alguém que apenas lhe liga quando não tem companhia.
A adaptação leva tempo e embora já tenhamos enraizado a tecnologia no nosso estilo de vida, a adaptação a esta ainda é precoce. Embora o pensamento geral seja o contrário, tenho para mim que o grande desafio não surgirá para as gerações que tiveram de se adaptar às novas tecnologias, mas sim para aquelas que já nasceram com elas e terão de discernir qual o uso apropriado a estas.